quinta-feira, 16 de julho de 2009

Lisboa em Prosa (4)


“Há vozes e cheiros a reconhecer – cheiros, pois então: o do peixe de sal e barrica nas lojas da Rua do Arsenal, não vamos mais longe; o da maresia a certas horas nas docas do Tejo; o do Verão nocturno dos ajardinados da Lapa; o dos armazéns de aprestos marítimos entre Santos e o Cais do Sodré; o do peixe a grelhar em fogareiro à porta dos tascos de recanto ou de travessa, desde o Bairro Alto a Carnide; há, no Inverno pelas ruas, o cheiro fumegante das castanhas a assar nos fogareiros dos vendedores ambulantes.”

José Cardoso Pires

6 comentários:

Julieta Ferreira disse...

Depois da sua visita ao meu blog, vim dar aqui e fiquei agradavelmente surpreendida e emocionada. Como sempre que me deparo com uma escrita que reflecte um profundo afecto pela cidade de Lisboa e que a faz realçar neste espaço virtual. Bem-haja!!

"Esta é uma cidade que deve ser vista a pé. Deve ser sentida no pisar firme das suas pedras de calcário e granito, no cheirar cativo dos seus aromas que se misturam numa simbiose invulgar, no olhar demorado pelas suas fachadas seculares, na contemplação envaidecida dos seus bairros sem igual e no apreciar da sua luz que nos aquece por dentro."

Foi o que escrevi, em Maio, quando tive a ventura, tão reconfortante, de palmilhar de novo a minha cidade.

Até sempre. Voltarei. Um abraço.

Ti Maria Benta disse...

Muito obrigada pelo comentário que deixou no meu blogue, José. Se ainda não reparou, passo a confessar que este seu é para mim uma visita obrigatória. É por isso que assim vamos revendo (outros recordando) uma cidade para capturar com todos os sentidos, uns mais apurados, outros menos, porém, na Rua do Arsenal, mesmo com fraco olfacto é difícil ficar-se indiferente.
Felicidades

Maria João disse...

Os cheiros de Lisboa... grande parte deles ainda persiste, apesar da mistura de outros odores cada vez mais intensos da "modernidade".
Um retrato cheio de sensibilidade e vida, característica da eximia escrita do saudoso José Cardoso Pires.

Um abraço

Luciana disse...

Magnífica tela sensorial de Lisboa!...
Atrás das palavras de Cardoso Pires vêm as nossas mais quentes memórias da cidade.
Maravilhoso!

Abraço
Luciana

Ana Cristina Casqueiro Haderer disse...

E com isto está tudo dito... saudades

Jesús Castro disse...

Disculpenme no expresarme en portugués. Soy un escritor de Algeciras( Andalucia) y estoy buscando el paradero de un señor llamado Augusto Lopes Joly que en 1920 vivia en el 19 Rua Antonio Ernies de Lisboa. Estaría muy agradecido si alquien me contara algo. Gracias de antemano,