quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Palmeira


Uma palmeira.
Que pode ser vista do Largo da Estrela.
Banal para quase todos. Não para mim.
Aquela palmeira está no “recreio” do colégio onde andei, “menino e moço”.
“Recreio” dos rapazes…porque o das raparigas era outro, com gradeado de ferro a servir de fronteira irredutível.
Passaram 50 anos, por mim e por ela. Mas nela não se notam os efeitos.
Digo-lhe “olá!” sempre que por ali passo.
Ela não responde de viva voz, mas sei que me reconhece e me saúda.
Amigos de longa data.
O colégio já não existe, mas ela persiste.
Os meninos de então estão hoje na meia-idade, ela na mesma.
Altaneira.
Testemunho.

8 comentários:

divagarde disse...

Também na minha escola primária havia uma, pela qual eu trepava e me sentava num dos galhos até deparar, um dia, com um gafanhoto enorme ao lado. E lá permanece, maior e mais inacessível às crianças de hoje de tanto cresceu, entroncou.
Há sempre uma árvore no percurso do nosso caminho, penso depois de ler este texto... o fascínio do altaneiro porque não chegavamos ao cume? O sermos crianças e as árvores, à imagem dos restantes objectos, serem para nós grandes demais? O roçarem o céu ou o que prometiam avistar do seu cimo?...

É, há sempre uma árvore no nosso percurso do nosso caminho, principalmente na infância.

Mel de Carvalho disse...

A cidade é, em cada um de nós, parcela e somatório. E, porque mutável a cada instante, indaga-nos sobre quem somos, nós, os passantes.
Inquisitiva, confronta-nos perante o nosso prazo de validade.

Porque ela fica... Palmeira, rio, colina, esquina, anfiteatro
ou
palco onde os actores são sempre temporais na "intemporal-idade" cósmica e universal.

Gostei de ler, de re_flectir. Guardo o caminho...

Luisa disse...

O colégio que frequentei, também já não existe nem as árvores de fruto que tantas memórias me trazem. Deu lugar a uma urbanização, ou seja a mais betão em altura. É a vida.

António Viriato disse...

Acidentalmente, por aqui passei e fiquei agradado, pelo tema dominante, pelos textos, pelas imagens e pela música.

As minhas felicitações e uma saudação especial pelo pequeno-grande texto do David Mourão Ferreira, sobre as Lisboas que vamos conhecendo ao longo da vida.

Ana Cristina Casqueiro Haderer disse...

também eu tinha uma palmeira, não no recreio mas num terreno ao lado e do colégio podíamos vê-la crecer alta e forte. Um pouco como nós que tínhamos 6 anos

Manuel Paula disse...

Caro Senhor José Quintela Soares

Receba os meus parabéns e já agora,também, agradecimentos por nos proporcionar momentos tão agradáveis, graças ao seu extraordinário trabalho de recolha de memórias de lisboa: também minha querida terra. Sou de São Vicente Fora(nasci naqueles prédios em frente ao Panteão Nacional, Campo de Santa Clara nº 47-2.
Agora, só mais um pormenor, quando se refere à "palmeira" senti emergir de sí, uma nostalgia que me tocou forte, pois essa “amiga” acompanha-me eternamente.

Receba meu amigo, os meus respeitosos cumprimentos
As maiores felicidades
Manuel Paula

José Quintela Soares disse...

Muito obrigado pelas suas amáveis palavras.

Anónimo disse...

E verdade há sempre uma árvore na nossa infância...No meu Liceu ainda lá estao, joguei muitas vezes ao berlinde a sua sombra, quantas memorias tao bonitas. Agora tenho uma no jardim de casa, falo de vez en quando con ela, sô é feliz no verao, aqui onde estou há poco sol.