quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Artes...



Com raras excepções, a Arte Contemporânea não me atrai muito.
Claro que o defeito, leia-se incompreensão, é meu.
Mas cada um nasce e vive com as suas próprias limitações…pelo que sempre preferi os Clássicos. Percebo o que vejo, o que para mim é essencial.
Ora a Carris, através de um Programa Cultural que pretende promover a “Arte Pública”, resolveu mascarar os elevadores de Lisboa até Junho.
No Lavra, coladas aos bancos, estão citações. E o meu espírito crítico, e algo irónico, logo entendeu que o Povo, sentando os seus corpos sobre os textos, teria pouca ou nenhuma oportunidade de os ler e muito menos perceber.
A sorrir ainda desta manifestação de “Arte Pública”…atravessei a Avenida e subi no elevador da Glória. E lá em cima, deparei com a Arte. Três lupas, aliás duas, porque uma já foi partida. Tentei ver algo através das sobreviventes. Sem êxito, porque nada se consegue vislumbrar.
Meditando sobre a minha “ignorância” sobre este tipo de Arte, cheguei ao da Bica.
E aqui, espanto geral. Então não é que o célebre “amarelo” está revestido de rectangulares espelhos? Olhei. Pouco tempo, porque a irritação já se sobrepunha a qualquer laivo de boa vontade que ainda pudesse existir no meu espírito.

Pobres elevadores!

7 comentários:

Rui Luís Lima disse...

Caro José Quintela Soares.
Embora seja apreciaor da arte contemporânea, tenho que reconhecer que existe por aí muita que de arte não possui nada. A época da provocação dos anos 60/70 foi na verdade chão que não deu frutos e ao ver esse amarelo da carris "travestido" senti uma certa tristeza e fez-me recordar o caso de uma Câmara Municipal da zona do Alentejo que após ter encomendado uma "obra de arte" a um artista este plantou no meio da cidade uma enorme "garrafa de leite". O desagrado da população foi tão grande que a autarquia lá teve que mandar retirar a encomenda do largo onde tinha sido "plantada".
Abraço cinéfilo
Paula e Rui Lima

divagarde disse...

De facto, o amarelo da carris empalidecer...

Mas, :)) Cristo não vestiu também a Pont Neuf?

Por um lado, deixai-os, é efémero :), por outro, se a provocação provoca reacção, ou seja, se nos faz reparar naquilo que se tornou costumeiro, a que passamos tantas vezes indiferentes por nos havermos habituado a ver arrumado e certinho no seu lugar, não é de todo mau despertar-nos para, talvez atinja mesmo o seu objectivo... desafiar :))

APS disse...

Caro José Quintela Soares

Também não gostei da ideia de "transvestir" o belíssimo elevador da BICA.

Estou de acordo com a «DIVAGARDE», é tudo para nos desafiar ou provocar...
Um abraço
APS

Duende disse...

:D:D Não sendo mais do que ninguém também eu leio a arte como a vejo, no entanto eu acho muita graça ao elevador da Bica, em parte porque sei que voltará ao normal, o que me tranquiliza, gosto muito dele como ele é. Mas gosto do espelhado, reflecte o que o rodeia, o enquadramento de que ele é parte e ao qual se encontra "retirado" é... temporário :D
Por outro lado, gosto de ver a provocação da arte na cidade (salvo algumas excepções... às quais geralmente não chamo de arte :P)

Ana Cristina Casqueiro Haderer disse...

Parece um elevador saído do Star Wars. Muito feio.

Ana Cristina disse...

Só uma palavra : horror!

Parece um eléctrico tirado do Star Wars???????

MCA disse...

Gosto da ideia dos espelhos no elevador. Os espelhos deformam as imagens reflectidas e conseguem, por vezes, efeitos muito bonitos. Ao mínimo desvio, a imagem reflectida altera-se. Pode dar belíssimas fotografias "abstractas".