quarta-feira, 4 de março de 2009

As Cores de Lisboa (14)


3 comentários:

Anónimo disse...

Porque a condição da terra que agora espreita é a Primavera, rejuvenceste em todos os seus aromas e cores, deixo Ruy Belo


A minha amada chega no ar dos pinhais
cingida de resina vária como o cedro
e a maresia. Levanta-se lábil
compromete solene o séquito da aurora
Ou vem sobre os rolos do mar
cheia de infância pequena de destino
Também a trazem às vezes aves como a pomba
que os mercadores ouviram
em países distantes. Tem brilhos
nos olhos de veado como se buscara
a grande fonte das águas
Que nome tem a minha amada?
Como chamá-la se nenhum
conceito a contempla ?
Em que palavra envolvê-la?
A minha amada não é da raça de estar
como o homem posta sobre a terra
Que pés lhe darão
este destino de serem mais ágeis do que nós os sonhos?
Ombro como o meu será lugar para ela?
Que anjo em mim a servirá?
Ai eu não sei como recebê-la
Eu sou da condição da terra
que tacteio de pé. Quase árvore
não me vestem convenientemente as estações
nem me comenta a sorte
o canto pontiagudo dos pássaros

Vem domesticamente minha amada
Receber-te-ei aquém dos olhos
com este humilde cabedal de dias

Mas basta que venhas quando eu diga
do alto de mim próprio sim à terra


Ruy Belo. Condição da Terra, in Aquele Grande Rio Eufrates, 1961



Teresamaremar

Anónimo disse...

Onde se lê rejuvenceste deve ler-se rejuvenescente.

Peço desculpa.


teresamaremar

Maria João disse...

Faz-me lembrar o Jardim botânico... e outros raros espaços que estando dentro do coração de Lisboa são pequenos mundos isolados de verde e quietude, onde é possível sentir a história nas centenárias árvores que lá se mantêm para deleite de todos.

Um abraço