domingo, 6 de junho de 2010

Lisboa e os Poetas (18)


“lisboa oxalá”

“Tal qual esta Lisboa, roupa posta à janela
Tal qual esta Lisboa, roxa jacarandá
Sei de uma outra Lisboa, de avental e chinela
Ai Lisboa fadista, de Alfama e oxalá.

Lisboa lisboeta, da noite mais escura
De ruas feitas sombra, de noites e vielas
Pisa o chão, pisa a pedra, pisa a vida que é dura
Lisboa tão sozinha, de becos e ruelas.

Mas o rosto que espreita por detrás da cortina
É o rosto de outrora feito amor, feito agora.
Riso de maré viva numa boca ladina
Riso de maré cheia num beijo que demora.

E neste fado deixo esquecido aqui ficar
Lisboa sem destino, que o fado fez cantar
Cidade marinheira sem ter de navegar
Caravela da noite que um dia vai chegar”.

Nuno Júdice.

2 comentários:

Maria João disse...

Um bonito postal de Lisboa, sim senhor!

Um abraço

Luisa disse...

Um belo poema, com Lisboa bem retratada.