domingo, 14 de novembro de 2010

Sophia. Fria.


Na Graça, Sophia contempla Lisboa.
Bronze frio contrasta com a alma quente.
Duvido que goste do que vê.
Bronze frio que lembra.
Sophia referência.
Gritará, contida. Ela, que nunca gostou de amarras.
Bronze frio que marca.
Sophia.
Sempre.

sábado, 6 de novembro de 2010

Lisboa em Prosa (10)


“Lisboa é o único sítio do país onde se pode encontrar a província em estado puro. Como é ela que dá o tom ao país, a província chega-me de lá depurada e aumentada. “Também é bonito”, dizia um excursionista lisboeta quando o carro eléctrico onde eles davam a volta à cidade para não a verem, passou em frente do Jardim Botânico. “Sim…- concordou outro – mas o nosso da Estrela…”. É muito pândego este alfacinha, para não passar por provinciano acha-se na obrigação de não admirar como, segundo ele, imagina faz o provinciano da província na sua Lisboa. Como sempre, os exteriores tocam-se mais ainda, assim prefiro de longe a admiração lorpa da pobre grande gente da minha aldeia. A admiração é o princípio da sabedoria.”

Eduardo Lourenço

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"Vem nos livros"...



Na entrada principal do antigo “Pavilhão dos Desportos”, olha para a “Feira do Livro”.
Também tem um na mão.
Desconfio que nunca o leu…mas tem.
O seu silêncio…é de pedra.
“Vem nos livros” que o património, seja qual for, deve ser preservado, o que não acontece com a sua morada, que apodrece lenta mas inexoravelmente, sem que ninguém pareça preocupado com isso.
Anunciou-se, há muito, que se projectava para ali o “Museu do Desporto”, mas não se passou disso, do anúncio.
Olha para o movimento na Feira, no Parque.
Já conheceu muitos momentos desses. Multidões. Agitação. Frenesim.
Agora, tem por única companhia o livro.
Frio.
Que nunca leu.

domingo, 24 de outubro de 2010

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Lisboa Naif (5)


Pedro Hermínio.

(Lisboa vista pelos Pintores NAIF, 1988)

sábado, 9 de outubro de 2010

Castilho e Braamcamp

A tranquilidade com que a senhora atravessou a rua, deu lugar ao frenesim de escapes e buzinas.
A bela arquitectura do prédio de esquina, foi tragada pelo "mamarracho" incaracterístico.
O velho candeeiro de Lisboa, traço e rasto de bom gosto, cedeu a posição a sucedâneo de bem pouca beleza.
E a noção de espaço livre...desapareceu por completo.
É quase claustrofóbico o "panorama" actual da Rua Castilho, esquina com a Braamcamp.


(Fotografia a preto e branco do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Admirável


Ainda não destruidas pelas voragens ferozes da moderna construção civil e de algumas idiotas aprovações camarárias, podemos encontrar na velha Lisboa algumas entradas de prédios antigos, absolutamente admiráveis.
Que mais apreciar no exemplo anexo?
O chão, as paredes, o arco, o candeeiro?
Gostei de tudo.

(Rua de S. José).